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A Gestão do Conhecimento contribui para a estratégia?

Para responder a questão acima, é preciso levar em conta que, como toda pergunta mais elaborada, esta admite a resposta “depende”. Neste caso depende de como entendemos Gestão do Conhecimento. Há, por exemplo, os que entendem Gestão do Conhecimento, de uma forma simplista, como uma atividade de RH voltada a fechar os hiatos de saber teórico detectados entre o que se “sabe que se sabe” e o que se “sabe que não se sabe, mas precisaria saber, visando melhor atender às estratégias definidas". Vale observar que esta visão de Gestão do Conhecimento é bastante difundida entre a turma com fixação em matriz de competências.

Esta abordagem de Gestão do Conhecimento contribui muito pouco para a definição de estratégias de uma empresa, pois acaba se limitando a coordenar os treinamentos necessários a atender um planejamento estratégico disponível ex-ante. Trata-se de uma atividade  nobre, é verdade, porém muito distante do que se poderia esperar de alguém que se propõe a lidar com o fator de produção mais importante na sociedade pós-industrial, o Conhecimento Organizacional. Em pouco tempo se perceberá que o conhecimento realmente capaz de criar vantagens competitivas sustentáveis não está disponível no mercado. Não se pode comprar cursos dele.

Teece, em 2000, já chamava atenção para o fato de que “tudo aquilo que pode ser adquirido por qualquer empresa, num mercado em livre concorrência, não é capaz de gerar, por si só, vantagens competitivas para nenhum dos participantes desse mercado”. Isto vale para cursos e treinamentos também. O fato é que não faltam exemplos de empresas que criaram uma área de Gestão do Conhecimento e esta esperou durante anos que o planejamento estratégico definisse quais eram os conhecimentos críticos da empresa.

Por outro lado, se Gestão do Conhecimento faz parte de uma estrutura de educação corporativa continuada, vai acabar se propondo a fazer criação, assimilação, difusão e aplicação do conhecimento, em linha com a definição de renomados autores da área de Educação Corporativa. Infelizmente se levará alguns anos para perceber que foi feito foi apenas criação, assimilação, difusão e aplicação de informações, como não poderia deixar de ser. Como imaginar que uma área de Educação Corporativa fosse capaz de criar conhecimento, papel reservado aos especialistas diretamente envolvidos nos processos? Entretanto, há quem desavisadamente acredite nesta possibilidade.


Obviamente, esta abordagem também contribui em quase nada para a definição de estratégias de negócios de uma organização. Porém se entendida como uma Gestão do Conhecimento Organizacional –– um metaprocesso que, explícita e sistematicamente, através de ações e práticas de apoio, aprimora as políticas e processos que influenciam a qualidade da dinâmica do Conhecimento Organizacional – aí, por definição, a Gestão do Conhecimento contribui muito para o aprimoramento do processo de pensamento estratégico no arranjo organizacional e, por consequência, na definição de estratégias de negócios.

Tal contribuição é recursiva. Significa dizer que um primeiro passo produzirá um resultado que influenciará o próximo passo e assim por diante. Desta forma, este tipo de Gestão do Conhecimento contribui, sim,  para o aprimoramento do pensamento estratégico de seu arranjo organizacional (uma empresa, por exemplo), bem como os diferentes e sucessivos ciclos de planejamento estratégico contribuirão para o aperfeiçoamento de sua Gestão do Conhecimento.

Engº Fernando Luiz Goldman
Doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento no Instituto de Economia da UFRJ, é Engenheiro Eletricista formado pela UFRJ, com M.Sc. em Engenharia de Produção, pela Universidade Federal Fluminense - UFF , com linha de pesquisa em Conhecimento e Inovação Tecnológica, tema sobre o qual tem diversos trabalhos publicados. Possui ainda Especialização em Gestão Empresarial pela FGV. Foi professor nas Universidades Santa Úrsula e Veiga de Almeida, ministrando, atualmente, cursos profissionais nas áreas de Gestão do Conhecimento, Inovação, Aprendizado Organizacional e Setor Elétrico Brasileiro. Desde 2007 é Presidente da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento – Pólo RJ.
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